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FOLHAS DISPERSAS

Poesias de Terenzio Formenti

Traduçäo: Giuliana Giudici

Terenzio Formenti nascido em Bagolino (Brescia) o 26 Março 1923 forma-se en farmácia em 1945 e exerce esta profissäo até 1972.
Em 1968 frequenta cursos de formaçäo para apoio terapeutico aos problemas da pessoa e do casal em Paris,Berlim e Berna. Finalmente, na Itália forma-se como psicoanalista de grupo e picodramatista moreniano.
Em 1972 cria em Brescia o "Centro pessoa casal grupos" no qual continua até hoje seu trabalho como psicologo e psicodramatista.
A partir de sua profissäo de observador atento aos sonhos, as imagens, a fantasia, a natureza, a vida, nasce, durante um seminario sobre comunicaçäo corporal e emocional acontecido em Rosano, sua primeira expressäo poetica com o titulo de "eu sou o arco-iris da noite". Em Dezembro 1986 è publicado o livro "Poesias nascidas o veräo. Publica em Dezembro 1987 um segundo volume com o titulo de "Poesias levadas pelo vento". Em Dezembro 1988 nasce o livro "Papagaios" na ediçäo bilingue italiana - espanhola. A traduçäo da ediçäo espanhola "Cometas" foi preparada pelo poeta uruguaio Juan Baladán Gadea. Publica em Dezembro 1990 "Amor en poesia" e" Fragmentos".

" Eu sou o arco-iris da noite, nascido nas trevas desta noite de magia. Me preguntaräo quais säo minhas cores, fechem os olhos e as veräo."

Yuan Baladán Gadea, musicista e poeta uruguaio, nascido en 1942. Preso por motivos politicos em 1971, permanece na prisäo até 10 de Março 1985. E' solto dela amnistia aprovada pelo novo governo democratico. Durante sua detençäo continua a compor música. Pertence a este período a obra "Sierras del Yerbal" publicada na Holanda em 1982.
Na Italia o poeta publica "Cantos de amor e esperança" e "Tenho que inventarte amor..."
En Maio 1989 sae o libro bilingue italiano-espanhol " Vou sonhando caminhos" na ediçäo "Nuovo Mondo" en Miläo.



© Copyright by Terenzio Formenti
17 Via Ragazzoni 25123 Brescia-Italia
Tel.0039/30/3365511


INDICE

APRESENTAÇÄO DO AUTOR


Pequeno, calmo

atrás de tua barba branca

escondese uma criança,

curiosa,

sedentaria e andarilha

que brinca con estrelas e cores

voa sobra as cidades

e entre bétulas descansas.



Sonhados rios

refrescam o sonho de tuas manhäs

e brincas

de pegar sonhos:

rouba-lhe petalas deles

e inventa

palavras 

e dramas e poesias.



Alquimista,

inventor de futuros

andas pelo mundo

doando livros

de poesias-flores;

criando 

casais que na neblina

respiram-se a alma,

un arco-iris na noite,

ou trens

que sonhan longe

em perdidos sertöes.



Pequeño, calmo,

detrás de tu barba blanca

se esconde un niño,

curioso,

sedentario y andariego

que juega con estrellas

y colores,

vuela por las ciudades

y descansa entre abedules.



Ensoñados ríos

mojan tus dormidas mañanas

y juegas

a perseguir los sueños:

les quitas sus coloreados pétalos

y les inventas palabras

y dramas y poesías.



Alquimista,

inventor de futuros,

vas por el mundo

regalando libros

de poesías-flores;

improvisando 

parejas que entre la niebla

se beben el alma,

un arco iris en la noche,

o trenes

que sueñan lejanos

en perdidas estepas.



Poesía de Juan Baladán Gadea 


UMA FOLHA AMARELA DE OUTONO


amarrada

a uma teia de aranha

uma folha amarelha de outono

livra-se no céu

prisioneira feliz

levada

por un fio de vento



embaixo

jazem sobre a relva

suas tristes companeiras

e duas pequeninas flores

sorrien ao sol



amarrado

por un fio de aranha

eu também

papagaio de outono

voo

ainda feliz

levado

por una teia de vento



quando quebrar o incanto

eu também

cairei entre as folhas mortas

e o inverno

me pegara

num sono

sem primavera


GOTAS NO MEU VIDRO


cae

a primeira gota

no meu vidro



cuidadosas

as outras  

procuram

o caminho



agora

enlouquecidas

correm

tocam-se

acariciam-se

amam-se



pequenas gotas

no meu vidro


"estar nus no vento
e derreter-se ao sol"


      		Gibran K. Gibran



estar nus no vento

e brincar com sua pele



deixarse beijar

pelo mar

pela chuva

pelo orvalho

pelos humores

de uma noite

quente de veräo



fazer um manto

com a luaque brinca entre as árvores



e quando o sol 

subir alto no céu

derreter-se

no seu quente suspiro


ACORDAR DA ANESTESIA


você en vigília

e eu

espero meu acordar



vejo te já

mas meus olhos estäo fechados

e imóveis

säo minhas mäos



você falha comigo

e eu näo escuto



falo

mas näo ouço

o som

da minha voz



estendo-te a mäo

mas ela

näo chega

até você

que me oferece algo

que näo consigo pegar



vejo teus olhos

que me observam



mas ainda säo

somente

os olhos da alma


"se você me ama, meu amor,
perdoa minha felicidade"


                	     R. Tagore



as vezes

minha felicidade

te assusta



meu amor



nasce do nada

e se nutre de pouco



de larvas invisíveis

que o vento transporta



de fragmentos de medo

que se dissolvem no calor



de migalhas de serenidade

caidas

das mesas dos pobres



	de um raio de sol

	que acorda vagalumes

	adormecidos

	em gotas de orvalho



se você me ama

meu amor

perdoa minha felicidade




"recebi meu convite para
a festa deste mundo"

                                R. Tagore



eram dois olhos azuis

quentes

infinitos

ternos



começamos a brincar 



de jogo em jogo

conheci o amor



de carícia em carícia

conheci o jogo



e agora o mundo

virou uma festa



a festa amor

e o amor mundo 


"te mostrarei todas as cores
que você imagina e as verá brilhar"

 

		         	Bob Dylan

 

talvez



näo conhesías

as cores de tua mente



e me inventaste

para que

as doasse a você



juntos peregrinamos

	teu mundo

	meu mundo

	nosso mundo



e agora



nossas cores

aprenderam a brincar



e ainda näo se conhesem


UMA FLAUTA


sopro do universo

assobia

uiva o vento nos rochedos



acordada em seu sono

responde devagar uma marmota



toca 

o pastor

uma flauta melancólica



e as notas

trasformadas 

em suspiro do homem

beijam o rebanho de ovelhas

rolam

pelos vales e barrancos

perdem-se

na harmonia do silêncio


TE SINTO


te sinto

te vejo

com o olhar te acaricio

con meus olhos te toco

percebo que respiro você



revelate



que eu possa sentir

que existo por você  também 


TE DEIXAREI UM PAPAGAIO


quando for embora

te deixarei um papagaio



um papagaio fremente ao vento



amarrado por ser libre



libre porque você

segura sua corda



de deixarei um papagaio



será minha última poesia



tal vez 

para ti

näo será a primeira 


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